
Reencantar o cotidano
para não precisar do excesso
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Sobre
Atualmente, um ateliê dedicado a reconciliar mente, matéria e corpo, a Urdume nasce do esforço de Estefânia Torres em compreender o mundo e encontrar formas de fazer seu corpo, extremamente sensível, caber dentro dele.
O fio surge, nesse contexto, como um objeto especular: enquanto o trabalho com as mãos desacelera seu pensamento e organiza seu espaço interno, a investigação sobre a natureza do têxtil — seja através da revista, seja por suas pesquisas e cursos — a faz compreender as estruturas do mundo e, assim, tecer a sua própria realidade.
Afinal, investigar o têxtil (seja pelo contato direto com a matéria, ou pelas simbologias e histórias que o fio carrega) é encarar a fratura histórica que se deu entre aquilo que imaginamos, a partir da nossa liberdade de escolha, e aquilo que executamos. Uma cisão que está enraizada na expropriação dos saberes corporais e na divisão cartesiana do trabalho, e que teve na mecanização do tear o seu marco tecnológico. O que está registrada em seu livro “Quem Tece o Mundo?”.
Hoje, essa ruptura chega ao limite. Radicalizada pela aceleração digital, ela é vivida na pele, com a sociedade espremida entre a desconexão com o corpo (e com as mãos) e uma mente saturada de estímulos, eternamente exausta.
É por isso que, em seu aniversário de 10 anos, a Urdume renasce como Ateliê Urdume, resgatando o corpo e a matéria como os únicos territórios onde a mente pode descansar e operar com autonomia, devolvendo à mão o direito ao gesto.
Através da Cosmologia Têxtil, essa ancoragem se manifesta em dois princípios estruturantes: o de que os fios são a metáfora da vida, e os ritos o que a tornam sagrada; e o de que é preciso reencantar o cotidiano para não precisar do excesso.
Tornar a vida sagrada e reencantar o cotidiano é compreender, de forma pragmática, que a inteligência habita a matéria e está presente na textura densa da realidade, e se revela para nós no contato, na gravidade e na dignidade do limite imposto pela matéria e seus ritmos.
Foi compreendendo isso que Estefânia Torres encontrou um caminho para conciliar sua extrema sensibilidade com tempos tão fragmentados e perturbadores. Ao voltar seu trabalho com as mãos e pensamento para a escuta da fibra, descobriu o pensamento têxtil e deixou de ser consumida por estímulos artificiais para se tornar artífice do seu próprio sustento sensível.
É a partir desse lugar que hoje ela compartilha o que este ofício se tornou para ela: um criar peles, contornos capazes de filtrar excessos e mediar sua relação com o mundo.
A Urdume - trajetória
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2016 – 2017 | Origem: Início da experimentação têxtil, criação dos Pequenos Plurais e a compreensão de que o fazer manual poderia ser uma ferramenta de organização psíquica e material.
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2018 – 2021 | Território: Criação da Revista Urdume, documentando o renascimento contemporâneo das práticas manuais têxteis no Brasil e no Mundo. O período engloba também o Fio da Conversa, iniciativa que reuniu homens em aulas de tricô, utilizando o manual como tecnologia de gênero para desconstruir padrões de comportamento.
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2020 – 2025 | Tempo: Publicação do livro Quem Tece o Mundo? e a sistematização do "Pensamento Têxtil". A pesquisa definiu a fratura histórica entre comando intelectual e execução manual, iniciada na mecanização do tear e radicalizada pela computação, além de marcos históricos e vivência pessoal.
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A partir de 2025 | Espaço e Matéria: A Urdume se torna um laboratório vivo que atua na escuta da matéria e na Cosmologia Têxtil para filtrar o excesso do mundo, devolver à mão o direito ao gesto e formar artífices capazes de habitar o próprio corpo com autonomia e presença.
Projetos

Cosmologia Têxtil
Projeto de pesquisa atualmente em desenvolvimento pelo Ateliê Urdume, que busca estruturar um modo de habitar a realidade, no tempo presente, em harmonia com o cosmos. Nessa investigação, a vida e o tempo são tratados como uma matéria que ganha forma através da repetição atenta e do contato íntimo com os fios e as fibras.
Acompanhe o andamento da pesquisa através da News Urdume.





